Dr. Ricardo Calvett
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Feridas

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FERIDA

 

Ferida é definida como a perda da cobertura cutânea, não apenas da pele, mas também dos tecidos subcutâneos, músculos e ossos. As feridas podem ser conceituadas como quebras da solução de continuidade das estruturas do corpo ou como ruptura das estruturas e funções normais dos tecidos. Podem ser causadas por traumas que tenham origem interna ou externa ao tecido afetado e variam desde uma lesão aguda e controlada até uma agressão generalizada.
 

Com o aumento da expectativa de vida da população, há incidência crescente das doenças que acompanham o envelhecimento (cardiopatias, neoplasias, diabetes mellitus, hipertensão arterial). Tais condições aumentam a prevalência e a complexidade das feridas e retardam sua resolução. O trauma configura, hoje, a principal causa de morte que pode ser prevenida e atinge, principalmente, os adultos economicamente ativos, com grande impacto social. Isso também colabora para o surgimento de feridas graves, de tratamento complicado e prolongado.
 

Com o aumento da longevidade e da prevalência das vítimas de trauma nos hospitais, a elevação da frequência das feridas ditas "difíceis" tem atraído a atenção não apenas de médicos e enfermeiros, mas também de administradores da área da saúde, preocupados com o impacto dos custos do tratamento dessa enfermidade. No hospital, os cuidados com esses pacientes estão geralmente associados com tempo de internação prolongado, uso de antibióticos de custo elevado e necessidade de curativos diários, com mobilização de grande equipe de profissionais especializados.
 

FERIDAS COMPLEXAS
 

Feridas complexas são feridas consideradas de difícil resolução e que estejam associadas a uma ou mais das situações seguintes: perda cutânea extensa, infecções agressivas, viabilidade dos tecidos comprometida (presença de isquemia e/ou necrose) e associação com doenças sistêmicas que prejudicam os processos normais de cicatrização (diabetes, vasculopatias, vasculites).
 

Baseando-se nesses critérios, Ferreira et al. propuseram, em 2006, uma classificação das feridas complexas segundo sua etiologia, dividindo-as em:
 

1- TRAUMÁTICAS
 

As feridas traumáticas são causadas por trauma grave, resultando em lesões com extensa perda cutânea e com prejuízo na viabilidade tecidual, como ferimentos descolantes nos membros inferiores, amputações de membros e de dedos, além de contusões, lacerações e grandes esmagamentos com exposição de tecidos nobres. As queimaduras mais extensas e profundas podem ser consideradas feridas complexas, mas tradicionalmente, são separadas e tratadas em centros especializados.
 

 

2- FERIDAS CIRÚRGICAS COMPLICADAS
 

As feridas cirúrgicas complicadas são resultantes da deiscência de incisões de cirurgia prévia, em geral associadas à infecção ou isquemia tecidual, e agravadas pelas condições clínicas dos pacientes.
 

 

3- FERIDAS NECROTIZANTES
 

As feridas necrotizantes apresentam infecção agressiva dos tecidos, com disseminação para os planos profundos e necrose tecidual, como nas celulites graves e na síndrome de Fournier, encontradas, principalmente, em pacientes com imunossupressão ou com alguma doença associada.
 

 

4- ÚLCERAS POR PRESSÃO
 

Entre as feridas crônicas, destacam-se as úlceras por pressão, que se desenvolvem pela isquemia tecidual prolongada causada pela pressão mantida dos tecidos moles entre uma proeminência óssea e uma superfície dura. Acontecem em indivíduos acamados por longos períodos, paraplégicos e tetraplégicos.
 

 

5- ÚLCERAS VENOSAS
 

As úlceras venosas nos membros inferiores representam a complicação da insuficiência venosa crônica.
 

 

6- FERIDAS DIABÉTICAS
 

As feridas diabéticas surgem mais comumente nas extremidades dos membros inferiores e são resultantes de neuropatia e da macro e microangiopatia que o diabetes provoca, associado ao prejuízo do processo de cicatrização.
 

 

7- FERIDAS POR VASCULITES
 

As feridas associadas à vasculite surgem com o acometimento inflamatório dos vasos sanguíneos ou por imunossupressão, que ocorrem em diversas doenças, tais como artrite reumatoide, lúpus, esclerodermia, dermatomiosite, anemia falciforme, etc.
 

 

8- FERIDAS PÓS-IRRADIAÇÃO
 

As feridas pós-radiação manifestam-se como radiodermite ou radionecrose e são sequelas da radioterapia para o tratamento de neoplasias.
 

 

TRATAMENTO DAS FERIDAS
 

A maioria das feridas complexas deva ser tratada com procedimentos cirúrgicos, pois se cuidadas apenas com medidas clínicas ou conservadoras, sua resolução demorará meses. Os desbridamentos cirúrgicos, enxertos de pele e retalhos devem ser indicados precocemente para acelerar a resolutividade desses casos. O cirurgião plástico deve participar, desde o início, de grupos que hoje tratam essas feridas, sejam eles grupos médicos ou de enfermagem. Acredita-se que a rapidez da resolução das feridas complexas reduz o tempo de internação hospitalar e, consequentemente, os custos do tratamento.
 

Observa-se pouca integração entre a cirurgia plástica e as diversas especialidades que tratam dessas afecções, como clínicos, cirurgiões gerais, cirurgiões vasculares e ortopedistas. Há inúmeros métodos de tratamento que carecem de evidência científica ou que tem sido superindicados por questões financeiras, como a câmara hiperbárica.
 

Atualmente, os curativos a vácuo (terapia por pressão negativa ou subatmosférica) têm sido largamente utilizados pelos grupos de tratamento de feridas complexas. O uso destes curativos diminui o tempo tratamento, auxiliando no preparo do leito das feridas para cirurgia de cobertura definitiva. As matrizes ou substitutos dérmicos também têm sido cada vez mais utilizados para a cobertura de áreas nobres expostas, como osso e tendão.
 

Os curativos mais modernos também facilitam o tratamento, pois tendem a ser menos aderentes ao leito das feridas, com maior poder de absorção de exsudato e redução do número de trocas, causando menos dor relacionada à manipulação. Os curativos impregnados por prata promovem controle da contaminação bacteriana nas feridas e ajudam a prevenir infecção.
 

Os materiais citados são importantes ferramentas no tratamento das feridas, mas não substituem o papel do cirurgião plástico, uma vez que o tratamento das feridas complexas é essencialmente cirúrgico.

 

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